24/05/2016 14h19

Governo do Estado lança livros inéditos voltados à história do Espírito Santo

Sete livros com novos olhares e estudos sobre temas como a imigração, as viagens de estrangeiros em terras capixabas, os tropeiros e as manifestações culturais e religiosas serão lançados pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), em parceria com o Instituto Sincades, na próxima quarta-feira (25), às 19h, no Palácio Anchieta.

São eles: “Italianos: base de dados da imigração italiana no Espírito Santo nos séculos XIX e XX”; “Fazenda do Centro: Imigração e Colonização Italiana no Sul do Espírito Santo” – Sérgio Peres de Paula; “Tropas e Tropeiros: O transporte a lombo de burros em Conceição do Castelo” – Armando Garbelotto; “Viagem ao Espírito Santo - 1888” – Princesa Teresa da Baviera; “Viagem pelas Colônias Alemãs do Espírito Santo” – Hugo Wernicke; “Nossa vida no Brasil: Imigração norte-americana no Espírito Santo (1867-1870)” – Julia Louisa Keyes; e “Corpus Christi em Castelo - Espírito Santo: manifestação da fé e da expressão artística” – Joelma Cellin. À exceção deste último, os livros citados fazem parte da Coleção Canaã do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo.

Italianos

O livro “Italianos: base de dados da imigração italiana no Espírito Santo nos séculos XIX e XX” é uma publicação que homenageia os 140 Anos da Imigração Italiana no Brasil, cujo início se deu com a chegada da Expedição Tabacchi a Vitória em fevereiro de 1874. Trata-se do volume 1 da série “Imigrantes Espírito Santo”, que posteriormente contará com as publicações: “Germanos e Eslavos” e “Ibéricos, árabes, americanos e outras nacionalidades”.

A obra, produzida pelos servidores do Arquivo Público, Cilmar Franceschetto e Agostino Lazzaro, reúne dados de mais de 38 mil nomes de imigrantes italianos que entraram no Estado nos séculos XIX e XX, resultado dos levantamentos efetuados para o “Projeto Imigrantes Espírito Santo” que teve início no ano de 1995. Entre as listas estão intercaladas mais de 260 imagens, entre fotografias antigas e atuais, mapas e diversos gráficos e infográficos.

Os dados que compõem a publicação foram coletados nas fontes documentais do APEES e de outras instituições, como o Arquivo Nacional, além de informações obtidas junto aos documentos pessoais dos imigrantes, guardados pelos familiares, o que tornou o projeto interativo. Dentre as iconografias presentes no livro, constam cento e vinte imagens, em preto e branco, que foram realizadas entre os anos de 1990 e 1994, em diversos municípios do interior do Estado, retratando os usos e costumes dos descendentes.

Fazenda do Centro: Imigração e Colonização Italiana no Sul do Espírito Santo

As histórias e vivências que envolvem a “Fazenda do Centro”, adquirida na primeira década do século XX pela ordem religiosa dos Agostinianos Recoletos, no município de Castelo, permanecem nas lembranças dos moradores da região. A imponência e beleza arquitetônica do casarão e as relações sociais ali mantidas entre os fazendeiros, os visitantes, os escravos e posteriormente os imigrantes italianos, permitem analisar o cotidiano local com suas interações, conflitos e características culturais. São estas memórias que o livro “Fazenda do Centro: Imigração e Colonização Italiana no Sul do Espírito Santo”, de Sérgio Peres de Paula, trazem à cena.

Tropas e Tropeiros: O transporte a lombo de burros em Conceição do Castelo

A obra “Tropas e Tropeiros: O transporte de burros em Conceição do Castelo”, de Armando Garbelotto, rememora uma época de homens corajosos e de animais resistentes pelos vales e montanhas do Sul Capixaba. Os tropeiros, pessoas de poucas posses, proporcionaram a sobrevivência dos rincões, das fazendas e famílias dispersas nas florestas capixabas. Para resgatar a trajetória desses personagens o autor acessou documentos da época e percorreu os caminhos empreendidos pelos tropeiros para encontrar e conversar com aqueles que viveram naquele tempo.

Viagem ao Espírito Santo - 1888

Em 1888 a Princesa Teresa da Baviera visitou o Espírito Santo e percorreu rios, florestas, vilarejos e manteve contato com os botocudos às margens do Rio Doce, deixando escritas as suas impressões. As anotações deram origem ao livro “Viagem ao Espírito Santo - 1888”. A obra foi organizada pelo historiador e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Julio Bentivoglio, com tradução de Sara Baldus. Teresa chegou ao Brasil com uma dama de companhia e dois auxiliares, um deles com habilidades taxidérmicas - arte de empalhar. Ela levava consigo um equipamento fotográfico e contratava guias locais em suas andanças.

Viagem pelas Colônias Alemãs do Espírito Santo

“Viagem pelas Colônias Alemãs do Espírito Santo” configura um relato sobre a cultura das comunidades germânicas localizadas no Espírito Santo no princípio do século XX. O livro foi originalmente publicado em Potsdam, em 1910, e traz as impressões de Hugo Wernicke, membro da igreja luterana da Alemanha, em visita aos seus conterrâneos em diversos municípios capixabas. A versão inédita em língua portuguesa foi traduzida por Erlon José Paschoal.

Nossa vida no Brasil: Imigração norte-americana no Espírito Santo 1867 – 1870

“Nossa vida no Brasil” foi publicado originalmente no Alabama, Estados Unidos, em 1874. O livro traz as observações de Julia Louisa Keyes sobre o período em que sua família esteve no Espírito Santo e no Rio de Janeiro logo após a Guerra Civil norte-americana e tornou-se uma das principais referências para pesquisas sobre a imigração confederada para o Brasil e também sobre o município de Linhares, no final da década de 1860. A tradução e notas são do historiador Célio Alcântara Silva.

Corpus Christi em Castelo-ES: manifestação da fé e da expressão artística

O livro tem o propósito de registrar a origem da Festa de Corpus Christi, que acontece na cidade de Castelo, município do sul do Espírito Santo. Na falta de documentação bibliográfica na literatura, referências ou pesquisas sobre os tapetes de Corpus Christi em Castelo, a autora Joelma Cellin buscou fundamentar o estudo colhendo e checando informações in loco nos arquivos da Paróquia Nossa Senhora da Penha e no trabalho de campo, que foi essencial para o registro dos dados. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas com pessoas que iniciaram os trabalhos artísticos entre os anos de 1960 a 1970, ou que ainda se envolvem com a confecção e ornamentação dos tapetes para os festejos. A Festa de Corpus Christi é abordada na obra com dados inéditos, com um olhar voltado para os aspectos religiosos, culturais e seus valores artísticos.

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